Se não sou mãe…quem sou eu?

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Hoje o Miguel foi para o Porto com os avós para ver o primo recém nascido, e para nos deixar livres para podermos fazer a nossa apresentação no Fundão sem ele, já que tanto eu como o Ricardo vamos estar na mesma apresentação.

O primeiro pensamento que tive foi que de alguma forma não sabia o que fazer ou como fazer. Senti-me um pouco despida sem o Miguel, como se ele fosse uma espécie de máscara que eu coloco todas as manhãs e isso é muito errado… Então veio-me ao pensamento outra vez, se não preciso ser a MÃE, então quem sou eu?

Esta questão de manter e desempenhar papeis é mesmo muito difícil de largar. Quando penso que já os ultrapassei, dahhh, nem por isso.

A casa está vazia e silenciosa e de certa forma, é bom ter tempo real para mim, para as minhas contemplações, para o meu companheiro e para os nossos projectos…

Então decidi partilhar com vocês…

Teresa LG

Convergência de Permacultura – Fundão

Nos próximos dias 24, 25 e 26 de Outubro vai decorrer a Convergência de Permacultura no Fundão e nós vamos estar a representar o Projecto Vida Desperta e os projectos que estamos a desenvolver.

O programa da Convergência encontra-se organizado segundo as três éticas da Permacultura – “Cuidar da Terra, Cuidar das Pessoas e Partilhar os Excedentes”. E embora durante os três dias do Encontro todas as éticas sejam contempladas, no primeiro dia (24 Out, Sexta) o foco será a TERRA, no segundo dia (25 Out, Sábado) o foco será PESSOAS e no Domingo (26 Out) o tema principal será EXCEDENTES.

Sábado de manhã será a nossa vez, vamos abordar os temas Comunidade, Activismo e de que forma os portugueses veem a mudança nas suas vidas…

Não percam este evento e inscrevam-se já.

Mudança, Transformação e Evolução

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Hoje acordei a pensar o que implica realmente mudar, evoluir…não é um processo fácil, nem rápido e a maior parte das vezes é um processo muito doloroso.

Pois na minha experiência, para mudar habitualmente, tive de em algum momento perceber que algo na minha vida deixou de fazer sentido, deixei de me identificar com isso, algo que durante tanto tempo foi a minha imagem, um dos meus pontos de referência e até mesmo o meu ser mas agora deixou de ser. Muitas vezes, quando a transformação é profunda, a maioria dos meus pontos de referência, senão todos, deixaram de fazer sentido. Se eu vir bem, estes pontos de referência são as minhas bases, as minhas estruturas e agora, estas ruíram. Quem sou eu agora?

Como não sei, e ainda não tenho pontos de referência novos, porque para já só sei o que não quero mais na minha vida, sinto-me perdida, abanada, sem nada nem ninguém para me apoiar. Sinto-me sozinha…

Mas isso não significa que estou verdadeiramente perdida ou abanada ou sem apoio….Como estou no desconhecido e isso é novo para mim, o medo surge…se já não sei quem sou, como posso saber o caminho a seguir? Como posso ter confiança para dar os primeiros passos nesta nova pele que ainda está tão fresca, tão transparente, tão sem forma?

Mas esta nova forma de viver a Vida, esta nova forma de ser e estar em que acredito que estamos todos ligados, que somos todos um, a tranquilidade, integridade e confiança que eu encontro no meu ser enquanto medito, enquanto sou, ajuda-me a perceber que o desconhecido é o conhecido, que para além das imagens e máscaras de uma estrutura antiga, eu sou cada vez mais eu, enquanto dou passos novos num chão que crio a cada momento e escolho para mim e para o todo.

E assim, devagar e com consistência abro os olhos para uma nova estrutura no meu ser que começo a construir, uma nova raiz que cresce em direcção ao solo que piso. Esta raiz não é nada que já alguma vez tivesse visto, é completamente nova e sou eu que a estou a criar, ninguém me disse como fazê-la, mas eu estou a fazê-la nascer e é dela que a minha nova identidade se compõe…

Eu vejo agora que a evolução é algo que quero na minha vida, pois quero transformar-me e trazer uma nova consciência para o todo. Já não a vejo como algo do qual quero fugir. É com ela que me conheço melhor a cada instante e com ela sei quem eu me torno a cada momento.

Teresa Leite Gonçalves