A verdadeira Meditação não é um escape, mas uma prática para uma vida desperta e livre…

Quando me comecei a interessar sobre meditação, há cerca de 7 anos, não fazia bem ideia do que era! Tinha uma vaga ideia de um Buda sentado a meditar, mas desconhecia o seu propósito e todo o seu potencial. O meu primeiro contacto foi um retiro de 10 dias de meditação Vipassana em silêncio, que revelou ser muito mais do que eu esperava. Nos dias seguintes, sentia-me mais vivo e muito atento a tudo. Nunca tinha experienciado tanto foco e atenção na minha vida, era como se de repente tudo fosse muito mais intenso. Mas como não mantive a prática, aos poucos as tarefas e distrações do dia a dia foram contribuindo para o desvanecer desse estado tão real e desperto…

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Entretanto, depois de conhecer o Projecto Vida Desperta e fazer um retiro de fim de semana com o Pete, apercebi-me pela primeira vez no final do retiro, de um silêncio interno na minha mente. Este silêncio era muito cativante, fez-me entrar em contacto com algo mais profundo em mim e sentir uma imensa paz. À medida que fui lendo e explorando mais sobre a meditação, que até então para mim estava associada ao Budismo, foi crescendo em mim uma ideia de que a libertação de todos os desafios e tribulações da vida iria, mais cedo ou mais tarde, requerer que eu abandonasse essa mesma vida e tudo o que possuía de material, para seguir um caminho espiritual no Oriente…

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O contacto com uma perspectiva da Vida mais abrangente e positiva, daquela que a nossa sociedade e cultura nos ensina, não só me deu um forte impulso para transformar radicalmente a minha vida, como também me tem permitido aprofundar o conhecimento de quem realmente sou! A meditação para mim é hoje uma âncora, um porto seguro e um farol que alumia o meu caminho, independentemente da intensidade das intempéries que fazem parte da Vida. Quanto mais sério é o compromisso que assumo e mantenho com a meditação, mais profundo é o meu entendimento da Vida, nas suas mais variadas expressões. A sua prática regular e uma forte intenção para ver as coisas tal como elas são, ajuda-me a ver melhor o que me motiva em cada acção ou resposta, e é esta clareza que, em última instância, me permite mudar os hábitos repetidos ao longo de uma vida.

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Hoje, e cada vez mais, a meditação permite-me entrar em contacto com uma parte de mim que já é livre, que nunca poderá ser magoada, que não tem medo e que está e estará sempre em paz! Ao mesmo tempo, sinto cada vez mais um impulso para agir, e não fugir da Vida. Para expressar com confiança o que já sei ser real na minha experiência, sabendo ao mesmo tempo que não sou perfeito e que nunca o serei. Mas aceito cada vez mais esta eterna imperfeição, pois é o que abre espaço para uma infinita transformação e evolução…

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Estou em processo de criação de um novo curso on-line sobre meditação e auto-questionamento, para todos aqueles que, tal como eu, sentem uma sede de explorar a sua verdadeira identidade. Será indicado para pessoas com diferentes experiências e abordagens à meditação, por isso se tiverem interesse estejam atentos, pois em breve vos trarei novidades 🙂 Mas antes, irei fazer um Retiro de 10 dias de Meditação, Mindfulness e Não-Dualidade, com o Pete na Avidanja, que recomendo vivamente!

Ricardo

Um fim de semana em cheio a fazer as vindimas!

No passado fim de semana fizemos as vindimas e desta vez, toda a família participou, que é como quem diz, eu não tive desculpa por causa das obras na casa 🙂

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Como já é costume, foi a Teresa que assumiu o controle de todo o processo, e tanto eu como o Miguel fomos dando uma ajuda aqui e ali… Bem, o Miguel provavelmente comeu mais uvas do que as que pôs nos poceiros, mas no final a intenção é que conta 🙂

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Este ano contamos com a ajuda dos nossos amigos holandeses, Floris e Lotte, e soube muito bem passarmos tempo de qualidade juntos. Entre as muitas conversas, lá fomos apanhando as uvas e espremendo-as à moda antiga, sempre com boa disposição 🙂

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É engraçado como as nossas histórias são parecidas… Eles despediram-se, resolveram fazer uma viagem por Portugal e apaixonaram-se pelo Projeto Vida Desperta! Não sabem muito bem qual o rumo que vão dar às suas vidas, mas estão muito curiosos por o descobrir, e nós também!

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Foi importante para eles perceberem que nós seguimos o que o nosso coração nos dizia e que somos felizes por termos feito essa escolha. Ainda hoje o continuamos a fazer das mais variadas formas, muitas vezes sem saber muito bem qual será o resultado final. Mas ao poucos vamos percebendo na nossa experiência, que não é tanto o resultado que verdadeiramente importa, mas sim todo o caminho que percorremos nesta bela viagem que é a Vida…

 

Um dia aberto fabuloso!

No passado Sábado tivemos a casa cheia num dia aberto que foi simplesmente fabuloso!

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O sol esteve presente em todo o seu esplendor, mas o calor humano foi ainda mais intenso. A presença de muit@s amig@s da família ALP, bem como de voluntári@s que recentemente fizeram um retiro de 10 dias na Quinta da Mizarela, contribuiu muito para uma partilha e exploração conscientes, de uma forma de estar e viver para alguns inspiradora e que é já um contributo para a mudança que muitos de nós queremos urgentemente ver no mundo.

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A curiosidade, boa disposição e interesse de tod@s @s presentes, permitiu que este dia fosse muito leve e simples, lançando boas sementes em tod@s nós. Enquanto visitávamos e explicávamos as diferentes estruturas no nosso terreno (casa de banho seca e chuveiro solar, sistema de tratamento de águas residuais negras e cinzentas, sistema de produção de energia e captação de água, etc), era fácil perceber que mesmo uma transição para um meio rural, permite uma vida com uma boa parte das comodidades e confortos da vida moderna.

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Sempre presente em cada conversa, esteve também o nosso crescimento enquanto seres humanos, a forma como nos relacionamos entre nós e com a natureza e a forma como queremos educar os nossos filhos, no sentido de criarmos uma cultura mais consciente, que nos sirva e não nos escravize, apoiando a exploração de todo o nosso verdadeiro potencial.

Tod@s partilharam um pouco das suas histórias, sonhos e aspirações para o futuro, reconhecendo que em última instância o futuro depende de todos nós e das escolhas que fazemos em cada instante. Quanto maior responsabilidade assumirmos nas escolhas que fazemos, maior também o potencial (r)evolucionário em cada acção, pois são as acções que escolhemos fazer que constroem o mundo em que vivemos…

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Estamos muito grat@s a tod@s os que vieram passar o dia connosco, que nos inspiraram e se permitiram inspirar, e estamos muito curiosos por descobrir o que em conjunto iremos continuar a co-criar 🙂

Um abraço bem forte, com muito amor,

Ricardo, Teresa, Miguel e Ana

Atira o Barro à Parede! Versão 2.0

Depois do sucesso da primeira edição em 2013, este ano resolvemos repetir o programa com uma parede de xisto de 6 m de comprimento! E os participantes estiveram à altura! Entre família e amig@s, reunimos o número certo para levar a cabo tamanha tarefa, sem correr o risco de sobre-lotar o espaço disponível…

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Ao sabor de uma limonada fresquinha, ao som de música variada e animada conversa, pouco a pouco, a parede foi sendo revestida por uma generosa camada de barro (mistura de barro/areia/água), que irá dar um precioso isolamento térmico e acústico ao nosso futuro quarto. Como em tantas outras ocasiões, a energia, o carinho e a dedicação de quem nos apoia esteve sempre presente, mantendo-se indefinidamente em cada canto da nossa casa. As marcas de cada um estão bem presentes nesta parede, assim como as memórias de um dia muito bem passado…

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No final, houve ainda tempo para descontrair e saborear a visita inesperada, mas sempre deliciosa, dos manos e do sobrinho (que já começa a mostrar interesse pela música do mundo 🙂 ). Depois de um dia tão recheado e rico, prometemos lançar mais desafios semelhantes, com ou sem barro na parede, sempre com o pretexto de entre-ajuda, partilha e diversão…

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Gratos a tod@s pela visita e apoio, temos mais um pouco de vós na nossa casa e nos nossos corações!

Até breve 🙂

 

O primeiro Dia Aberto do Vida em Transição!

Abrimos a época com um Dia Aberto fantástico! Um grupo de pessoas interessadas em conhecer o espaço, mas acima de tudo com uma vontade muito forte de simplesmente conviver e apoiar o projeto!
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Apesar da semana ter sido chuvosa, durante a manhã o sol brindou-nos com os seus raios e foi possível dar uma volta pelo terreno, conhecer o espaço exterior e disfrutar de umas laranjas acabadas de colher acompanhadas de pão e queijo, sentados no alpendre a ver a vista sobre o vale!

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O dia foi muito tranquilo e cheio de partilhas num ambiente familiar e acolhedor. Continuo a ficar surpreendida com a energia e amor que trazem as pessoas que nos visitam…uma entrega e autenticidade vísiveis em cada partilha e fica o sentimento de que é possível viver, conviver e estar de forma diferente uns com os outros.

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Uma semana preenchida…

A semana passada foi uma semana em cheio! Decorreram os workshops da “História do Universo” e as tertúlias no Porto sobre o Projecto Vida em Transição. Confesso que me sinto, e na altura também me senti, abençoada por estar presente nos eventos e pela partilha que estes eventos possibilitam entre seres humanos. Foi muito rico!

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Durante o fim de semana de workshops tive oportunidade de participar no grupo de Viana do Castelo e no grupo do Porto, dois grupos muitos distintos mas foram dois momentos de aprendizagem fantásticos. A vinda da Jane e do Rod a Portugal foi uma dádiva e a forma como eles nos transmitiram os conhecimentos que têm vindo a adquirir com a sua própria experiência foi fantástica. Não se limitaram a desbobinar uma série de conhecimentos ou informações, deram-nos antes “ferramentas” ou pequenas actividades que podem ajudar a “despertar” nas crianças um sentido para algo maior do que elas próprias (eu senti que se aplica igualmente à criança que existe em mim!). Estas actividades fazem-nos questionar, fazem-nos contemplar, fazem-nos parar e ser por momentos, fazem-nos mergulhar na pura e simples vivência do momento…encontrar nas profundezas do agora quem nós realmente somos. O meu espírito encheu-se de alegria ao pensar no potencial que estes exercícios podem ter nos mais novos. É curioso que no meio disto tudo questiono-me às vezes que autoridade tenho para transmitir algo às gerações futuras. Eu posso transmitir todo o conhecimento que adquiri e posso ainda apontar para mais conhecimento que já foi adquirido pelo Homem ao longo dos séculos, mas no fim resta-nos algo mais valioso do que o conhecimento…a sabedoria…e esta ninguém nos pode ensinar…tem de ser vivida, tem de ser caminhada, experienciada.

No caminho da sabedoria não existem regras, nem métodos, nem caminhos melhores do que os outros…cada um tem o seu processo…e cada processo tem de ser respeitado e amado. As crianças e famílias que vierem ao nosso/meu encontro e vice-versa serão os seres humanos que têm de se cruzar comigo nesses momentos particulares da vida para partilharmos algo mutuamente e depois cada um segue o seu próprio percurso e faz as suas próprias sínteses daquele encontro. Da semana que passou ficou essencialmente gravado em mim a partilha…a partilha entre seres humanos que se cruzaram num dado momento.

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Todos os dias agradeço a oportunidade que me é dada para continuar a poder partilhar mais momentos comigo, com os outros, com a natureza, com os animais, com o universo…no fundo com o Todo!

Ana Fonseca

A minha nova casa

Olá!

É curioso verificar que ainda não escrevi uma única palavra neste blog e no entanto já estou a viver com o Ricardo, a Teresa e o Miguel desde agosto do ano passado. Neste aparente curto espaço de tempo muitas aventuras e desafios têm vindo a acontecer por cá. Já ando há algum tempo para partilhar um dos desafios que passei quando cheguei à comunidade e creio que agora é o momento de o fazer.

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Em agosto do ano passado (após alguma persistência da minha parte, porque ainda não tinham condições físicas para aceitar voluntários) vim trabalhar como voluntária para a comunidade e para o projecto que a Teresa e o Ricardo estavam a começar a construir. Durante os meses de verão e outono estive a viver numa tenda, mas com a chegada do frio acabei por ser acolhida na casa, no espaço onde será futuramente a casa de banho. Pode parecer estranho estar a viver na futura casa de banho, mas confesso que não me incomodou e, aliás, até gostei muito da experiência. O espaço em si era agradável e quente, no entanto não era um espaço onde pudesse arrumar as minhas coisas e instalar-me com outro nível de conforto. Com o tempo o estatuto de voluntária evoluiu de forma natural e consciente para residente e senti então que estava na altura de arranjar um espaço fora de casa para morar.

Foi muito engraçado porque, a partir do momento em que verbalizei a minha intenção de comprar uma roulote ao Ricardo e à Teresa, a roulote veio ter comigo quase por magia. Um amigo nosso tinha vindo ajudar a construir uma casa de madeira no nosso vale e trazia uma roulote onde vivia durante os dias de TRABALHO longe de casa. Ele estava a tentar vender a roulote porque era pequena demais para a família dele e eu estava a procura de uma para comprar. Foi uma daquelas coincidências que continuam a surpreender-me e me fazem confiar cada vez mais no universo.

A roulote tinha sido practicamente entregue em casa e, ao que parecia, estava em boas condições. Era uma roulote antiga e muito bonita dos anos 70. Finalmente decidi-me a comprá-la e após a instalação da mesma no terreno pensei em fazer apenas umas pequenas renovações e pinturas para dar um aspecto mais pessoal e fresco ao interior e ao exterior. Qual foi o meu espanto quando começo a retirar alguns adereços do interior da roulote e vejo que havia partes do perfil da parede que estavam podres. Resolvi então investigar a extensão do problema e quanto mais ia destruindo o perfil mais madeira estrutural, podre encontrava. Continuei a destruir o interior da roulote até que só uma das paredes estava intacta. O chão também estava igualmente podre nas extremidades e em algumas partes parecia um carro dos flinstones (quase que dava para colocar os pés no chão e empurrar 🙂 ). Houve vários momentos durante a fase destrutiva em que me questionava o que estava a fazer. Porquê que me tinha metido naquele processo? Porquê que tinha decidido destruir?

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Tinha chegado a um ponto em que a roulote estava inabitável e só me apetecia pegar na carcaça e enviá-la para o polo norte, para bem longe da minha vista. Este foi um dos pontos mais importantes do processo. O Ricardo e a Teresa ao verem o meu desespero e desmotivação resolveram mostrar-me imagens do processo que eles próprios tinham passado…a reconstrução da casa deles. Ao ver as fotos e tudo aquilo que tinham feito num espaço de tempo tão curto reparei que a minha motivação e força estavam de novo a surgir e voltei a acreditar que era possível, e mais ainda, o quão divertido é estar a fazer algo assim!

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Hoje vejo que a compra da roulote e o facto de ela estar no estado em que estava sem eu saber previamente foi uma dádiva espetacular. Foi um desafio que me foi lançado e que me fez ver muita coisa em mim, fez-me transformar, fez-me crescer, aprender, evoluir. Também me fez ver que aquilo que pedimos realmente acontece (e por isso também é preciso ter cuidado com as nossas intenções e o que realmente queremos porque vêm ao nosso encontro!). Eu antes de a ter comprado dizia que gostava muito de aprender mais sobre construção e como utilizar certas ferramentas porque não me sentia confortável a usar nem uma serra nem um berbequim nem nada disso. Bem…o meu apelo foi ouvido e acreditem que me fartei de usar ferramentas e aprendi imenso sobre materiais e o que funciona e não funciona.

Foi um processo muito bonito porque houve fases em que estava a destruir uma parte da roulote e a reconsturir outra ao mesmo tempo. Fez-me ver que tudo na vida é mesmo assim…a destruição do antigo/velho ocorre para dar lugar ao novo, à criatividade. E tanto a destruição como a construção foram processos igualmente bonitos e poderosos…apenas expressões diferentes. A criatividade estava presente não só na construção como também na destruição, porque eu não podia simplesmente colocar uma bomba dentro da roulote e destruir tudo…tive de destruir de forma criativa e pensada.

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 Todo o processo que estava a passar serviu também para tema de contemplação pessoal e em grupo. Falar sobre motivação, sobre desespero, sobre frustração, sobre falta de energia, sobre o potencial da força criativa, sobre a entre-ajuda, sobre a vitimização, sobre a responsabilidade, sobre o poder de ultrapassar desafios, sobre o desenvolvimento de capacidades para superar os desafios. Este último tópico era constantemente testado. Apercebi-me de uma diferença muito curiosa entre construir e reconstruir. Quando construímos temos a liberdade para usar os materiais que queremos e fazer as formas que queremos, etc. Ao reconstruir também existe um potencial enorme de criatividade mas temos de ajustar essa criatividade às estruturas já existentes. Existe um molde a partir do qual vamos construindo. Digamos que as peças não vêm já direitinhas da fábrica e depois é so montar como os móveis do IKEA. Ali tudo tinha de ser feito à medida, personalizado e único…e a cada tarefa que começava a fazer encontrava logo um entrave porque não existem peças que encaixem na perfeição à primeira…tinha de adaptar…ajustar…arranjar novas formas de solucionar os supostos problemas.

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Foi muito interessante. Muito curioso foi também perceber a minha noção de perfeição. Recordo-me que na minha vida tinha sempre procurado a perfeição (e ainda existe esse impulso em mim) e isso levou-me a desgastes e frustrações muito profundas. Como devem imaginar a roulote nao está construida de acordo com os meus padrões irreiais de perfeição que tinha anteriormente. Tem defeitos, tem moças, tem zonas mal pintadas, tem desníveis, tem tudo e mais alguma coisa, no entanto, agora vejo a perfeição na imperfeição.

A noção de perfeição que tinha não era real…era impossível, era uma projecção de um ideal meramente mental. Vejo agora a beleza nessa imperfeição, e o espaço tem uma outra qualidade…uma qualidade com cunho pessoal…com marcas das pessoas que ajudaram a reconstruir, com a energia e o esforço que foi colocado na roulote.

Esta questão da energia foi também outro tema interessante. Percebi que havia dias em que estava a trabalhar apenas porque tinha de ser, tinha de acabar a roulote o mais depressa possível para poder mudar de casa…sentia-me encurralada e a energia que estava a colocar no trabalho que estava a fazer era pesada e desesperante. Até que percebi que estava a colocar essa energia na roulote e não era isso que eu queria. Não queria criar uma casa pesada e com energia desesperante. Uma mudança de perspectiva ocorreu e passei a focar-me no potencial de transformação da roulote, na felicidade em criar, no prazer de construir e aprender com os meus erros e frustrações, na alegria em sonhar e imaginar como decorar e remodelar a configuração por dentro.

Já estou a viver na roulote desde o início do ano e confesso que as obras interiores e exteriores ainda não estão terminadas, mas agora vou construindo a um ritmo mais tranquilo. É um “work in progress” tal como eu sou um “work in progress” para toda a vida! Vou fazendo um bocadinho de cada vez, mas o que já está terminado está muito bonito e confortável!

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Contar à minha família (particularmente aos meus pais) que estava a viver numa roulote foi também uma aventura interior interessante. Veio provar que tenho realmente demasiadas ideias pré-concebidas do que vai acontecer e olho para os meus pais como seres que não evoluem. Fui surpreendida com a abertura de espírito e apoio que me deram, de tal maneira que a minha mãe até quis fazer as cortinas para a roulote. “Impossible is nothing”!

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Ana Fonseca

Projeto Vida em Transição no QUINTAL Bioshop, Porto

QUARTA FEIRA 18 DE FEVEREIRO, DAS 21H ÀS 22:30H 
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ENTRADA LIVRE COM INSCRIÇÃO

Local: Quintal, Rua do Rosário, 177 Porto

Inscrições e informações: tlf 222 010 008 ou por email: mail@quintalbioshop.com

Tens sentido vontade de dar o passo rumo a uma vida diferente, mais consciente, mas ainda não tiveste coragem ou não sabes como o fazer? O Ricardo, a Teresa e a Ana mudaram-se da cidade para o campo, mas não mudaram apenas a forma como vivem a vida, estão continuamente a transformar o seu modo de ser e de estar e querem partilhar com vocês a sua história.

Vamos falar sobre o nosso projecto, o que nos motiva, como queremos transformar o mundo, os eventos que vamos ter este ano e como podes participar neles.

Co-Criadores:

Teresa Leite:

Nasci no Porto, e desde pequena que acredito que a evolução é algo que deve ser constante na nossa vida e tem de ser trabalhada diariamente…mas poucas vezes dei ouvidos a esta realidade em mim. Ouvi muito mais o que me diziam, o tradicional e o esperado pelos outros e tentei viver de acordo com isso, procurando cumprir as expectativas impostas pela família e amigos. Desde que decidi viver uma vida diferente sou mais eu, procuro viver sem saber ou controlar o que está á minha volta, procuro não assumir ou ter expectativas sobre os outros, procuro viver no presente deixando de lado a nostalgia do passado e a incerteza do futuro. Procuro viver as minhas relações com o máximo de abertura e honestidade, dando sempre espaço para o que não sei sobre o outro, independentemente de estar a falar dos meus pais, amigos, companheiro, conhecidos ou desconhecidos. Hoje sou muito mais relaxada, vivo no meio da natureza com o meu marido, filho e a Ana e tento fazer apenas aquilo que me faz feliz. E todos os dias tento passar ao meu filho toda esta experiência de transformação de uma forma positiva e motivadora.

Ricardo Gonçalves:

Nasci e vivi quase toda a minha vida no Porto, onde me licenciei em Biologia e trabalhei na área da Genética. Inspirado pelo Projecto Vida Desperta, e dando corpo a uma insatisfação interior demasiado intensa, despedi-me do meu emprego e iniciei uma nova jornada de vida. No início não foi fácil ouvir o que o meu coração almejava, pois estava demasiado habituado a fazer o que era esperado de mim pela família e sociedade, mas após um período de procura e disponibilidade para a mudança, aos poucos o Universo foi-me trazendo luz neste caminho de descoberta! Hoje vivo no campo, com esposa, filho e com a Ana e aprendo todos os dias a viver uma vida mais plena, integral e consciente. Não sei o que me trará o amanhã, mas sinto-me cada vez mais confiante com o desconhecido e entrego a minha vida a uma vontade muito maior do que a minha…

Ana Soares da Fonseca:

Quem sou EU? É uma boa pergunta…Se me perguntassem esta questão há 2 anos atrás eu daria uma resposta muito rápida e cheia de certezas fixas. Descrevia-me em relação às coisas que fazia ou que tinha. No fundo o meu valor dependia de factores e aspectos exteriores. Fui criada numa família católica muito devotada mas desde cedo revoltei e tornei- me o que se pode chamar agnóstica. Após vários anos a viver de acordo com o que seria “esperado de mim” cheguei a um ponto de ruptura e sofrimento que conduziram a um “despertar” espiritual espontâneo de união e de grande alegria e positividade.  Comecei a questionar qual o verdadeiro propósito da minha vida e como podia trazer o “céu” que tinha vivido à terra. O impulso da vida levou-me a encontrar o Ricardo, a Teresa e o Miguel e, após uma experiência como voluntária, acabei por me tornar residente. Tenho um interesse particular pela educação consciente e sinto que é uma urgência mudar a forma como estamos a educar as gerações futuras. Este interesse é também partilhado pela Teresa e pelo Ricardo, o que acabou por começar a dar forma a uma visão que ambos tiveram para o terreno deles –  o que significa viver de forma consciente…o que significa trazer o “céu” à terra…em família.

Sobre o nosso projeto:

Somos um casal que se uniu com o mesmo propósito, o de evoluir todos os dias e de nos transformarmos num homem e numa mulher completos. Quando nos conhecemos não fazíamos ideia de onde poderíamos chegar e de quanto era possível transformar,  mas a verdade é que estamos onde escolhemos estar e somos cada vez mais felizes. Há 2 anos e meio tivemos o nosso primeiro filho e com ele iniciamos uma nova viagem ainda maior de consciência e aprendizagem. Em 2014, a Ana apareceu nas nossas vidas e com a sua vontade de evoluir e criar algo comum connosco, inspirou-nos a convidá-la a fundar o ‘Famílias Despertas’ em conjunto e desde então somos 4.

Contactos
Website – www.vidaemtransicao.pt
Email – avidaemtransicao@gmail.com
Morada – Lugar do Ribeiro – Sem Número
3305-181 COJA

O que significa viver uma Vida Desperta?

 

Recentemente, ouvi um amigo dizer “Não há outro lugar onde preferisse estar, nem outras pessoas com quem viver e, para mim, esse é o verdadeiro significado de viver uma Vida Desperta!” Esse amigo chama-se Pete Bampton e naquele momento estava a fazer um brinde, durante a celebração do seu quinquagésimo aniversário, na presença de queridos amigos. Estas palavras ressoaram em mim de uma forma profunda, como tantas outras que já ouvi vindas deste grande amigo, irmão e mestre…

Este simples e profundo reconhecimento, de que estou a viver a Vida que em consciência escolhi, está hoje mais presente e enraizado em mim. E se por um lado traz consigo um sentido de que é possível realizar os nossos sonhos mais sinceros, por outro traz também uma enorme responsabilidade, pois não deixa qualquer espaço para a vitimização e o queixume, tão endémicos na nossa cultura. Este é um grande passo rumo à evolução, individual e coletiva, pois facilita a aceitação daquilo que não conseguimos mudar, ao mesmo tempo que nos empodera para dar à Vida o rumo que lhe queremos dar. Mas este não é um querer egóico, de alguém que quer algo apenas para si, é um querer mais profundo que transcende a esfera pessoal e que, ao mesmo tempo, nos permite expressar a nossa individualidade mais criativa…

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Para mim, assim como acredito que para tantos outros, sempre foi muito difícil aceitar as minhas imperfeições! E claro está, esta incapacidade de aceitação é extrapolada para os outros, que no fundo são apenas um reflexo de mim próprio. Mas sem essa aceitação, de que sou e sempre serei um “work in progress”, a verdadeira transformação e crescimento estarão sempre limitados por todas as ideias herdadas ou autoimpostas. Sem as “imperfeições” não seria possível a evolução, se tudo fosse já “perfeito” ou “acabado”, não haveria espaço para a mudança, para a criatividade e para o novo. Assim, esta eterna dança na procura de quem realmente somos, é o que nos mantém vivos e entusiasmados, é o que nos permite continuar a sonhar e manifestar um futuro melhor, uma nova realidade, uma narrativa com mais sentido e propósito para todos vivermos…

Desta forma, o meu compromisso para comigo e para com aqueles que me rodeiam, é de aceitar mais, estar mais atento, ouvir mais profundamente a partir de um maior silêncio interno, dar mais sem querer tanto para mim e manifestar cada vez mais aquilo em que acredito! Estou profundamente grato a todos os que me rodeiam, especialmente aos que, juntamente comigo, escolheram estar mais próximos, pois é com eles que todo este “trabalho” de crescimento e evolução tem um maior potencial para se manifestar. E como essa manifestação acontece mais facilmente depois de ser expressa, aqui estou eu mais uma vez a partilhá-lo…

Com amor, inspiração e confiança,

Ricardo