Floris

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Ao chegar aos 30 anos em 2010 eu senti que estava a sair-me bastante bem na vida. Tinha muitos amigos, um apartamento simpático no centro de Amesterdão, uma namorada amorosa, um emprego num banco bem pago com boas perspectivas, ia de férias 8 semanas por ano para todo o tipo de locais exóticos, etc. E agora que estou a escrever isto ainda me parece apelativo, mas nunca iria querer voltar para essa vida. Sou mais feliz do que nunca.

A parte de mim que sente falta dessa vida é a parte condicionada que me quer fazer crer que a felicidade surge com a aquisição de experiências, relações e coisas, mas eu tenho sido afortunado o suficiente para perceber que não é esse o caso. A felicidade já está sempre aqui, nós é que perdemos contacto com ela e não sabemos como a reencontrar.

Em 2010 tive uma grande depressão. Foi quando eu percebi que não era a pessoa que pensava ser durante toda a minha vida. Há um poema que me ajudou a despertar para esta verdade que se chama ”Ouve, por favor, o que eu não estou a dizer”, de Charles Finn. Fez-me perceber que a maior parte da minha vida eu fingia ser “alguém” e que não sabia realmente quem estava por detrás daquelas máscaras que eu colocava. Apesar do poema já não ter o mesmo efeito em mim que teve naquela altura, eu coloquei-o aqui pois pode ter o mesmo efeito em ti. Apesar de naquela altura eu não o conseguir expressar com tantas palavras, foi aí que comecei a minha exploração de quem “SOU EU”? E tem-se revelado uma aventura muito entusiasmante e gratificante.

Tenho que dizer que não foi fácil no início. Passei por muitos psiquiatras e outras estratégias de auto-ajuda. E isso ajudou-me muito na altura, mas só até certo ponto. Apenas me trouxe de volta até uma espécie de equilíbrio, mas não era muito diferente do que antes da depressão. Passaram-se alguns anos nos quais me senti cada vez menos à vontade em relação ao que fazia. Eu sentia um vazio nas coisas que fazia e comprava. Cada vez mais sentia um desconforto com o meu emprego e tornava-se cada vez mais difícil colocar a minha máscara-do-trabalho, até já não poder mais suportar o stress de não poder ser quem eu realmente era. Foi então que me despedi do meu emprego e juntamente com a minha namorada, Lotte, decidimos comprar uma auto-caravana e partir para o mundo, para ver como outras pessoas viviam uma vida diferente.

Esta viagem trouxe-nos até ao Projecto Vida Desperta (ALP), onde nos candidatamos para um período de voluntariado e fizemos um retiro de meditação sobre o despertar evolucionário, no qual entrei cada vez mais em contacto com quem realmente sou e com o facto de existir um propósito maior para a vida, do que apenas a procura pessoal de felicidade. Não procuramos mais e voltamos para o Projecto para aí ficar por uns meses. Entretanto, a Lotte ficou grávida e passamos a maior parte da gravidez na yurt no Projecto Vida Desperta. Aí meditamos, trabalhamos, questionamos e prepara-mo-nos para a chegada da Isa. Depois regressamos à Holanda para o parto, mas decidimos regressar ao Projecto alguns meses depois da Isa nascer. Como os retiros de meditação não resultam muito bem com a presença de crianças, decidimos juntar-nos ao já existente projecto filho do Projecto Vida Desperta, o Projecto Vida em Transição.

Quanto mais estou envolvido com o ALP, mais amo aquilo que estamos a tentar construir.


Reaching my thirties in 2010 I felt I was doing pretty well. I had a lot of friends, a nice apartment in the center of Amsterdam, a lovely girlfriend, a well paying job at a bank with great prospects, I was going on holiday for about eight weeks a year to all sorts of exotic places, etc. And now that I’m writing this it still sounds appealing but I would never want to go back to that life. I’m happier than I ever was before. The part of me that is missing that life is the conditioned part of me that wants me to believe happiness comes from acquiring experiences, relations and stuff but I have been fortunate enough to realize that it is not the case. Happiness is always already here, we have just lost touch with it and don’t know our way back to it.

In 2010 I had a pretty big emotional breakdown. It is when I found out that I wasn’t the person who I thought I had been all this time. There’s a poem that helped me wake up to this truth and its called “Please hear what I’m not saying” by Charles Finn (http://poetrybycharlescfinn.com/pages/please-hear-what-im-not-saying) . It made me realize that I had been pretending to be “someone” for most part of my life and that I didn’t really know who was behind those masks I was putting on. Although the Poem doesn’t have the same effect on me as it had back then I post it here as it might have on you. Although I could not have put it in so many words back then that is when I began my exploration into who “I AM”. And it is proving to be a very exciting and fulfilling adventure.

I have to say it wasn’t easy in the beginning. I went through a lot of psychiatrists and other self help strategies. And it absolutely helped me at the time, but only marginal. It just brought me back to some sort of equilibrium but it was not much different than before the breakdown. A few years past in which I felt increasingly at unease about what I was doing. I was feeling emptiness in the things I did and bought. I increasingly felt uneasy about my work and it was getting harder and harder to put my work-mask on until I could not handle the stress anymore of not being able to be who I really was. So that’s when I quit my job and my girlfriend, Lotte, and me decided to buy a campervan and go into the world to see how other people were living differently.

This trip brought us to the awakened life project where we applied to volunteer for a period and did a meditation retreat on evolutionary awakening and I increasingly got in touch with who I really am and that there is a bigger purpose to life than the personal pursuit of happiness. We did not search any further and came back to the project to stay a few months. Lotte had got pregnant in the meantime and we spend most of the pregnancy in the yurt at the awakened life project. We were meditating, working, inquiring and preparing for the arrival of “Isa”. We went back to holland for the delivery but decided to come back to the Project after a few months after Isa was born. As meditation retreats and children not go well together we desided to join the existing daughter project of the Awakened Life Project, the Awakened Family Project.

The longer I’m involved with ALP the more I have come to Love what we are trying to do.