Do outro lado de uma catástrofe, reside sempre um infinito potencial!

Pouco tempo depois dos incêndios do passado 15 de Outubro, que dizimaram enormes áreas em diferentes regiões de Portugal (inclusive a região onde moramos), vi-me confrontado com a necessidade de reunir mais lenha para o Inverno. Uma vez que toda a lenha que já havíamos reunido estava agora reduzida a cinzas (mais de 6m cúbicos de lenha rachada e outro tanto para rachar), resolvi começar a cortar algumas das árvores carbonizadas, que visivelmente não iriam sobreviver.

Esta tarefa foi particularmente dolorosa com as oliveiras, pois algumas árvores tinham já dezenas de anos e a cada 2 anos nos davam bons frutos, com os quais não só produzíamos o nosso próprio azeite, como também curtíamos algumas azeitonas para comer. Foi com um sabor agridoce que cortava cada árvore, cada ramo. Por um lado estava a reunir a tão necessária lenha para o Inverno, mas por outro testemunhava a morte de uma tão bela e nobre fonte de vida e alimento.

Esta foto foi tirada hoje. Felizmente o verde já cobre a maior parte do solo que na altura ficou todo preto, mas infelizmente muitas das árvores não conseguiram sobreviver…

A certa altura comecei a reparar com mais atenção nos belos contornos dos ramos de oliveira, agora completamente queimados pelo fogo! Lembro-me de ter pensado: “Será que quero mesmo queimar pedaços de madeira tão belos?” Apesar da necessidade lenha para o Inverno, reservei bastantes pedaços que me pareciam ter potencial para criar algo que talvez pudesse ter um outro fim. Durante os últimos meses a ideia voltava a surgir de vez em quando, mas a falta de motivação e energia para fazer algo para além do básico e essencial, ia sempre adiando o início deste projecto. Até que o convite para o casamento de um casal amigo no passado fim-de-semana, me deu o impulso que faltava para começar. Sem grandes ferramentas, mas com uma grande curiosidade de experimentar e descobrir o que era possível, entreguei-me finalmente às maravilhas e desafios do processo criativo.

Já tinha uma ideia do que queria fazer (um suporte para velas pequenas) e lá fui à procura de um ramo que me parecesse o “certo”. Tenho pena de não o ter fotografado em bruto, pois assim a transformação tornava-se bem mais visível, mas o caminho faz-se caminhando e já estou a aprender muito neste curto espaço de tempo 🙂

O engraçado deste ramo, foi que dadas as suas características, poderia ser usado em várias posições diferentes. No início foi-me difícil escolher como fazer, mas aos poucos fui observando e ele foi-se “revelando” para mim! E quase sem querer, consegui criar um suporte de velas e/ou incenso que pode assumir diferentes formas…

Este processo deu-me tanto gozo, que penso ter encontrado algo a que quero dedicar mais do meu tempo! O facto de poder criar arte, pela primeira vez fascina-me! Especialmente pelo contexto na qual a estou a desenvolver, usando madeira que foi queimada pelos fogos, que transformaram a vida de tanta gente. Deste modo, pretendo deixar sempre uma parte queimada, como que uma memória do que aconteceu, para nos lembrar a todos que na vida nada é eterno e que num instante podemos perder muita coisa.

Mas ao mesmo tempo, o que num momento nos pode parecer um desastre, mais tarde pode também revelar-se numa benção. Faz parte do processo de crescer e ganhar maturidade, aprender a olhar para cada evento de uma perspectiva maior, mais completa e não tão centrada no nosso pequeno eu…

Aqui ficam 3 pedaços em bruto, nos quais já comecei a trabalhar. Tenho uma ideia do que pretendo fazer com eles, mas quero deixar sempre espaço para ser surpreendido pelo que “quer” surgir.

Alguém tem alguma ideia do que vai sair daqui? Mantenham-se atentos, em breve vou colocar fotos dos produtos acabados 🙂

E se se sentirem inspirad@s a apoiar este projecto, com ideias, ferramentas ou mesmo apoio financeiro, expressem-no por favor, eu irei agradecer todo e qualquer input e sugestão.

Abraço grande com gratidão,

Ricardo

O poder da Vulnerabilidade!

Ultimamente a Clara tem vivido momentos de grande intensidade e desafio! Uma destas noites ela “brindou-nos” com mais um momento intenso de frustração e gritaria! Eu tinha-me atrasado na preparação do jantar, ela estava cansada e quando não conseguiu o que queria, lá começou mais um desafio para todos, tentar jantar ao som de um enorme berreiro…

Não sei se pelo facto de ainda falar muito pouco e nem sempre se conseguir expressar ou fazer entender, a verdade é que têm sido mais frequentes estas demonstrações de frustração, que por vezes nos deixam sem saber muito bem o que fazer. E se há alturas em que estamos num estado de espírito que nos permite lidar com a situação de uma forma leve, por vezes só me apetece “sair deste filme” que mais parece de terror! Mas claro, o impulso para “resolver a situação” surge imediatamente, pois todos acreditamos que um pai e uma mãe devem saber como acalmar uma criança e restabelecer o “equilíbrio”. Mas, será que sabemos sempre? E se não o conseguirmos, estará algo de errado connosco? Será que se não o fizer estarei a falhar redondamente enquanto pai?

Acho que naquela noite tudo isto estava bem presente em mim! Todos demos espaço para que a Clara libertasse as suas frustrações, a gritar e a espernear no chão, tentando por vezes agredir a mãe, que era o objecto da sua revolta. Mostramos várias vezes que estávamos disponíveis para pegar nela e a consolar, mas cada tentativa apenas agravava ainda mais a revolta e a gritaria. Enfim, a muito custo para os nossos ouvidos, especialmente para o Miguel, lá fomos jantando. Quando ela acalmou e se interessou pela comida, lá se sentou ao colo da mãe e começou a agir como se nada se tivesse passado.

Um pouco depois, quando os 3 se preparavam para cantar uma música de agradecimento pela refeição, eu estava já de pé a lavar alguma loiça, mas a Clara não queria fazê-lo sem mim à mesa. Contrariado, lá me sentei e comecei também a cantar. Ao fazê-lo, apercebi-me da imensa tristeza e frustração que estava presente agora em mim. Senti uma enorme vontade de chorar, mas reprimi esse impulso. No entanto, deixei de cantar e no final da canção levantei-me para continuar a minha tarefa de limpeza. Foi então que a Teresa me sugeriu que expressasse o que estava a sentir… “Para quê, a Clara não vai entender!” respondi eu. “Mas está aqui mais alguém capaz de entender…” respondeu-me ela. Com alguma resistência, pois nós homens não estamos muito habituados a mostrar a nossa vulnerabilidade, lá disse que me sentia triste, frustrado e desanimado pelo que tinha acabado de acontecer. A Clara olhava-me com um sorriso de quem vive sempre no momento presente e já nem se lembrava do que tinha acabado de acontecer. Quanto ao Miguel, levantou-se e veio ter comigo para me dar um abraço… Depois seguiu-se a Clara que também se quis juntar ao irmão em me abraçar. “Ok, rendo-me!” pensei eu. A seguir aproximei-me da Teresa para a abraçar também e demos todos um abraço a 4.

Ao permitir-me expressar o que sentia, não só me “libertei” das emoções que me contraíam, como permiti que quem estava comigo sentisse e expressasse empatia.  Estes momentos são capazes de mudar e curar tudo! Mas quão raros são? Quantas vezes nos entregamos verdadeiramente às nossas emoções e nos permitimos expressar com toda a sensibilidade e vulnerabilidade “o que nos vai na alma”? Sei bem que a transparência, vulnerabilidade e espontaneidade são não só uma expressão da nossa liberdade inerente, mas são também um convite a essa expressão livre nos outros! Então porque não o faço mais vezes? Porque não o fazemos todos?

Reconheço que me contenho muito na expressão dos meus sentimentos e emoções. Apesar de me ter libertado já de uma grande parte do controlo e medo que durante tanto tempo condicionaram a minha vida, ainda mantenho uma tensão e preocupação em ser aquele que providencia para a família. Coloco muita da minha atenção naquilo que acredito que precisa de ser feito exteriormente, para que tudo funcione e esteja em ordem, mas continuo a negligenciar ainda muitas vezes as necessidades interiores, não só as minhas, mas também as dos que me rodeiam. E isso pode ser uma forma de evitar a experiência da dor e do sofrimento, sejam quais forem as suas origens. Compreendo que ao manter todas as ideias sobre mim, de quem sou e de como devo agir, estou a criar separação em relação ao que realmente sou. E quando eu não me limito a repetir os hábitos, a cada momento posso ser uma expressão nova e espontânea de quem sou. E é isso que realmente significa ser livre, reconhecer a possibilidade de criar algo de novo em cada instante e de expressar aquilo que sou, em toda a plenitude e potencial.

Esta é uma das maiores lições que posso aprender todos os dias com os meus filhos, a viver o Presente e a permitir-me expressar-me livremente. E claro que há uma sensibilidade que é importante desenvolver com o crescimento e a maturidade, pois acredito ser importante não ser 100% transparente a todo o momento, tal como o faz uma criança. Mas isso não impede que seja verdadeiro, desde que o faça sempre com um cuidado pelo todo. Por isso hoje quero abraçar cada vez mais o que significa ser humano e quero viver uma vida mais livre, sem excluir ou reprimir as minhas emoções e sentimentos, fazendo um maior esforço para as compreender e aceitar. Mas para isso tenho que as viver plenamente, sentí-las de uma forma “nua e crua”, as que trazem alegria e as que trazem sofrimento, sem preferir nem evitar nada. E tenho consciência que ao fazê-lo não estou apenas a libertar-me a mim próprio, estou também a dar um exemplo aos meus filhos e a incentivá-los a nunca deixarem de o fazer…
Grato por me “escutarem” 🙂
Ricardo

P.S. Aproveito para vos deixar um vídeo de uma pessoa que me tem inspirado muito. Espero que gostem!

5 dias de cumplicidade entre Pai e Filha!

Quando há 2 anos vieste a este Mundo encheste o meu coração de Amor! Ou melhor, com a tua Presença rompeste com as suas amarras e ajudaste a que o Amor que está sempre presente pudesse fluir livremente, outra vez… Já tinha ouvido falar muitas vezes da relação especial entre Pai e Filha, mas só quando o vivemos na pele é que compreendemos a sua veracidade.

Quando há 6 anos o teu irmão Miguel começou a crescer na barriga da tua Mãe, uma parte de mim pensou que a “minha vida” estava perdida. Lá se ia a minha liberdade e a minha aspiração de encontrar um sentido nesta vida! Mas estava tão enganado… O que ainda não sabia na altura era que a vossa vinda serviria para intensificar o “meu” despertar para a Vida! Por isso estou muito grato por vocês os dois nos terem escolhido. E hoje percebo melhor e sinto que para além do que aparentemente nos “separa”, e faz de mim Pai e de vocês Filhos, eu Sou o Mesmo que Vocês! O que olha através dos meus olhos é o mesmo que o que olha através dos vossos olhos, e quando estou consciente disso fico completamente deslumbrado pelo maravilhoso processo que é a Vida…

Esta semana estou a fazer algo contigo que também já fiz com o teu irmão, há 3 anos atrás. Passarmos 5 dias e 5 noites sozinhos, sem a tua Mãe, para que deixes de mamar e ela possa recuperar do cansaço e das privações a que tem estado sujeita, desde que foi Mãe do teu irmão. Acho que eu não estaria tão relaxado se não tivesse vivido já essa experiência com o Miguel, mas a verdade é que sinto hoje uma confiança de que tudo é possível. E quase todos os dias dou imenso valor a tantas mães e pais que sozinhos cuidam das suas crianças. Se já é um desafio enorme fazê-lo a dois, apenas posso imaginar como seria sozinho, e esta semana dá-me um cheirinho dessa realidade.

Adoro a forma espontânea como sorris e como isso me desarma! Adoro o teu olhar maroto! Adoro aquele espaço que tens entre os dentes incisivos e como isso te faz parecer ainda mais malandra! Adoro quando fazes ioga comigo! Adoro sentir o teu abraço e a tua cabeça no meu ombro! Adoro como pedes beijinhos quando te magoas! Adoro sentir a tua pele! Adoro perder-me nos teus olhos! Adoro os carrapitos do teu cabelo, e como desajeitadamente os tiras da frente dos olhos! Adoro como brincas sozinha e te aventuras na natureza! Adoro adormecer-te nos meus braços, no meu peito ou nas minhas costas! Abençoada Manduca que nos permite a nós pais continuar a fazer coisas quando temos filhos pequenos, mesmo quando eles estão a dormir 🙂

Adoro conduzir contigo ao meu lado! Adoro o facto de entenderes tudo, apesar de ainda não falares quase nada! Adoro como adoras o teu irmão, e como ele te adora a ti! Adoro como dizes Papá! Adoro ver-te a correr, ou a espreitares por baixo das tuas próprias pernas! Adoro quando dizes Pum! Adoro como brincas às escondidas! Adoro quando ouves um ruído, pões o dedo à beira da orelha e dizes: Mamã! Adoro quando pedes para te fazer mais cócegas, mesmo quando parece que já é demais! Adoro a paciência que tens comigo, e como rapidamente me mostras que eu já passei dos limites! Adoro sentir tanto Amor por ti e crescer contigo a cada dia! Adoro-te meu Amor e quero ser um melhor Pai a cada dia…

Agora vou dormir que já é tarde, tu estás sozinha na cama e não sabemos como vai ser a nossa noite…

Bons sonhos,

Pai Ricardo

Um fim-de-semana transformador!

No passado fim-de-semana recebemos a visita e ajuda de 6 fantásticas mulheres, que vieram da zona da grande Lisboa para juntos limparmos os destroços do incêndio do dia 15 de Outubro. Desde este dia marcante, que nunca esqueceremos, ainda não tínhamos dedicado grande tempo nem energia para fazer esta limpeza, mas com esta maravilhosa equipa foi tudo mais fácil e rápido.

No Sábado dedicamo-nos a limpar o que restou do nosso abrigo (de materiais, ferramentas e utensílios, do nosso delicioso sumo de uva, etc.), bem como da nossa casa de banho seca e chuveiro exteriores. Foi como que um Morrer para o Velho, dando mais espaço para algo de novo poder crescer.

Por vezes lá encontrávamos algo que já não nos lembrávamos que tínhamos perdido, e ora nos sentíamos tristes e emocionados, com a lembrança dos fogos ainda bem presente, ora nos divertíamos com a capacidade transformadora do fogo com o seu alquímico calor.

O espírito esteve sempre elevado e a alegria e boa disposição foram uma constante. Isso foi sem dúvida do melhor que partilhamos neste fim-de-semana, pois trouxe cor e alegria a um cenário ainda tão negro. Criatividade também não faltou, bem como uma incansável vontade de transformar este espaço e torná-lo de novo mais belo.

Depois de um dia bem cansativo estávamos todos maravilhados com a fantástica limpeza do terreno!

E muito satisfeitos por termos recolhido todos os destroços…

E no Domingo, resolvemos dedicar-nos ao outro lado da vida, o Renascer das Cinzas, ao cortarmos algumas silvas que resistiram ao fogo e ao semearmos bolotas para que novos carvalhos e sobreiros possam crescer.

O Miguel e a Clara acompanharam cada etapa do processo e também eles ajudaram…

No Domingo o Sol apareceu em força o que nos permitiu comer o almoço no pátio. A alimentação vegetariana foi excelente, com uma saudável disputa entre os cozinheiros (os 2 anfitriões), em duas tentativas bem sucedidas de prendar as nossas Fadas da Terra pelo seu heróico esforço!

Depois desta aventura, a recém formada equipa passou a ser designada por “Comissão de Melhoramentos, de Esculca para o Mundo!

Estamos profundamente gratos à Sofia Fonseca e ao seu incansável apoio, com a primeira iniciativa de voluntariado através do EcoLife Experience, bem como à Alexandra, Carol, Lília, Luísa e Marta! Vocês foram todas extraordinárias, num fim-de-semana em que o tempo parou e onde nos sentimos todos muito próximos, ficando também com vontade de viver uma nova experiência um dia…

Um abraço forte com gratidão e até breve,

Ricardo, Teresa. Miguel e Clara

Just a very hot summerday in Esculca

PORTUGUÊS EM BAIXO

I am writing this in the midst of everything that is going on here in our community. It is a very hot afternoon and my daughter is having her midday nap in the house that provides a bit more coolness. But outside I can hear the workman talking, hammering stones and the cement mill turning. Finally, the surroundings of the house will be made beautiful with stones, steps and little gardens. We are so grateful for the men working on our land under the burning sun.

In the kitchen I can here that someone is cleaning up, we have a board with  all the domestic tasks well divided between eight people, including three children that are very eager to help. Another person is picking up a child from school. Before lunch we had a ‘sharing and caring’. This means that for an hour we speak out what wants to come from our hearts and what is hanging in the air. We do not want to allow that friction or tension is separating us. We all agreed that the last week had been very busy, and sometimes communication can become poor and one can get distracted very much and is not seeing the bigger picture anymore. It is great to speak this out and to make it conscious. We also spoke about the importance of meditating, something we do every day and we all see huge benefits from it in our lives. So besides so many practical things like working in the garden, building a yurt, cooking and cleaning, working on the computer, it is so important to hold the firm ground from where we want to live our live


In the month of June, we are in total with 5 adults and 5 children (age 9,8,4,1,1). We are very happy to have Arlete and her two daughters Filipa and Maria staying with us. Arlete has been very interested in the Awakened Life Project and finally she could come to spend time with members of this project in our community. The three of them sleep in the caravan just outside the house. Let me share with you more or less the schedule we have here in the summer so you can get a sense.

7h meditation

8h breakfast

9h activities like gardening, building, playing, learning, sharing

12.30 lunch and relaxing

15.30 activities

19h dinner

21h meditation

It has been very good to have this family with us because new people always bring new input and energy. Arlete is homeschooling her children and is very creative in living a more resilient lifestyle. Together with her we are organising a soap-making workshop this sunday, we still have some places left if you are interested. We have been using her soaps the last weeks and they are amazing! We are very interested to create this life together with other people, so if you feel that what I shared above resonates with you and you would like to experience it, check out our intensive program for Awakened Families and write to us. So the heat is kicking in with me and I will join my daughter for a little nap. I am looking forward to this afternoon because I am joining a local yoga class. The area in which we live is becoming more and more alive with beautiful people and projects. Maybe I can have a dip in the waterfalls after?

Hope to see you someday in Esculca!

Much Love, Lotte


Apenas um dia de Verão muito quente em Esculca

Estou a escrever isto no meio de tudo aquilo que está a acontecer na nossa comunidade. Está uma tarde muito quente e a minha filha está a fazer a sua sesta de meio do dia, na casa que providencia um pouco mais de frescura. Mas lá fora consigo ouvir os trabalhadores a falar, martelar pedras e a betoneira a trabalhar. Finalmente, as imediações da casa vão ser tornadas mais bonitas com pedras, degraus e pequenos jardins. Nós estamos muito gratos aos homens que trabalham na nossa terra debaixo do sol ardente.

Na cozinha consigo ouvir que alguém está a limpar, nós temos um quadro com todas as tarefas domésticas bem divididas entre oito pessoas, incluindo três crianças com muita vontade de ajudar. Entretanto, outra pessoa foi buscar uma criança do jardim de infância. Antes do almoço tivemos uma sessão de “partilhar e cuidar”. Isto significa que durante cerca de uma hora nós falamos aquilo que quer sair dos nossos corações e aquilo que está a pairar pelo ar. Não queremos permitir que tensão ou fricção nos separe. Todos concordamos que a última semana foi muito preenchida, que por vezes a comunicação pode ser fraca e que podemo-nos distrair e perder a perspetiva mais abrangente. É bom poder dizer tudo isto e tornar as coisas conscientes. Também falamos sobre a importância da meditação, algo que fazemos todos os dias e que nos traz enormes benefícios para as nossas vidas. Então, para além de tantas coisas práticas como trabalhar no jardim, construir uma tenda mongol, cozinhar e limpar, trabalhar no computador, é tão importante manter o solo firme sobre o qual queremos viver as nossas vidas.

Durante o mês de Julho, somos no total 5 adultos e 5 crianças (com idades 9, 8, 4, 1, 1). Estamos muito contentes por ter a Arlete e as suas duas filhas Filipa e Maria connosco. A Arlete tem estado muito interessada no Projeto Vida Desperta e finalmente conseguiu passar algum tempo com membros deste projeto na nossa comunidade. As três dormem numa caravana a poucos metros da casa. Deixem-me partilhar convosco o horário que temos aqui no Verão, para ficarem com uma ideia.

7h meditação

8h pequeno-almoço

9h atividades como jardinagem, construção, brincadeiras, aprendizagem, partilha

12:30h almoço e descanso

15:30h atividades

19h jantar

21h meditação

tem sido muito bom ter esta família, porque novas pessoas sempre trazem novas ideias e energias. A Arlete está a fazer ensino doméstico com as suas filhas e é muito criativa ao viver um estilo de vida mais resiliente. Juntamente com ela nós estamos a organizar uma oficina de elaboração de sabões para este Domingo, ainda temos alguns lugares disponíveis se estiveres interessad@. Temos usado os seus sabões nas últimas semanas e são espetaculares! Estamos muito interessados em criar esta vida juntamente com outras pessoas, por isso se sentires que aquilo que partilhei acima ressoa contigo e que gostarias de o experienciar, espreita o nosso programa intensivo para Famílias Despertas e escreve-nos.

Então, o calor está a apertar e eu vou-me juntar à minha filha para uma pequena sesta. Estou ansiosa por esta tarde, porque vou participar numa aula de ioga aqui na região. A área na qual vivemos está a tornar-se cada vez mais viva, com pessoas e projetos muito bonitos. Talvez ainda vá dar um mergulho nas cascatas depois da aula?

Espero ver-vos um dia em Esculca!

Muito Amor, Lotte

É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança!

Há um velho ditado que diz: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança!” e é bem verdade, pois essa tem sido a nossa experiência desde que a Clara nasceu! Olhando para trás e vendo o que fizemos nos últimos 4 anos, desde que o Miguel nasceu e nos mudamos para Esculca, fico impressionado com tudo aquilo que conseguimos realizar. A construção da casa, a criação do nosso projeto, a participação na criação do jardim de infância Caracol ao Sol, os trabalhos na horta, pomar e floresta, os cursos online e todos os trabalhos que garantem o nosso sustento, tudo isto foi atingido com muito esforço e alguns sacrifícios, mas sempre com uma vontade muito grande de evoluir, a todos os níveis. Mas essa evolução e progresso não aconteceu apenas “fora” de nós, temos também crescido “internamente” enquanto seres humanos, pais, filhos e amigos.

Com o nascimento da Clara, percebi de uma forma bem real que o nosso corpo também tem limites e que às vezes o mais importante é mesmo descansar, saborear o momento e estar lá a 100% para os nossos filhos. Foi por tudo isto que no ano passado quase não demos sinais de vida no site e no FB, pois quase não tivemos mãos a medir com tudo o que era preciso responder aqui em casa.


Mesmo assim, tivemos um Verão e Outono bem activos, no qual recebemos 3 famílias desde Julho a Outubro, por 3 semanas, 15 dias e um mês, respectivamente. Todas levaram daqui experiências enriquecedoras e deixaram-nos também a nós mais seguros de que o projeto que continuamos a desenvolver tem valor e que consegue responder à procura de algumas famílias. Aqui podem ler os testemunhos de uma dessas famílias, que sentimos fazem já parte da nossa própria família.

Entretanto, no Outono o Adam resolveu procurar uma nova casa e saiu da nossa comunidade. Estamos gratos pelo tempo que vivemos juntos, por tudo o que partilhamos e aprendemos e pelo seu contributo, que nos permitiu reunir melhores condições para nós e para quem nos visita e fica connosco.

No início de Novembro, recebemos a Lotte e o Floris (que já nos tinham visitado por 2 vezes) e a Isa (a sua filha apenas 1 mês mais nova que a Clara), e que vão viver connosco pelo menos por um período de 1 ano. Em breve iremos publicar um texto sobre a sua vinda.

A terminar o ano, mesmo antes do Natal, eu fiz um retiro solitário de meditação e silêncio por 1 mês, e mais recentemente a Teresa fez também um por 10 dias! Pode parecer estranho colocarmos uma pausa na “nossa vida”, mas acreditem que vale a pena parar, respirar fundo e refletir sobre quem realmente somos e porque estamos aqui, de forma a nos reencontrarmos e re-alinharmos o nosso caminho…

Por agora é tudo, mas prometemos em breve estar mais ativos no blog e refrescar todo o site, para saberem mais sobre nós e sobre o que estamos a fazer e o que pretendemos para o futuro.

Abraço amigo e até já,

Ricardo

Bem vinda Clara, meu Amor!

No passado dia 30 de Março, às 23:11h, nasceu finalmente a nossa filha Clara! Tudo correu muito bem. Ela nasceu em casa. como desejávamos, com a presença e apoio da parteira Mary Zwart, do Adam e da nossa amiga Raquel (foi tudo tão rápido, que a Cynthia e a Laura já não chegaram a tempo!). Foi um dia em que tudo, ou quase tudo, aconteceu de uma forma orgânica e muito relaxada…

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Quando o Miguel surgiu nas nossas vidas, em Dezembro de 2011, estávamos já numa fase de mudança. Na altura já nos tínhamos despedido dos nossos empregos e já andávamos à procura de um terreno no campo, para nos mudarmos e começarmos uma nova vida. Mas faltava ainda decidir o onde, quando e com quem? A vinda de um bebé traz sempre muitas mudanças e a mim principalmente trouxe-me uma maior urgência para tomar decisões e agir. Em Setembro o Miguel já vai fazer 4 anos e tenho aprendido muito com ele. Posso dizer que sou um homem bem diferente desde que ele nasceu…

Entretanto hoje, enquanto segurava a Clara no meu colo, percebi que ela também impulsionou uma transformação importante em mim. Reparei então como tem sido cada vez mais fácil para mim chamar-lhe Amor! Tem sido interessante descobrir e contemplar, como a nossa experiência em relação à Clara é de alguma forma diferente da que tivemos com o Miguel. É verdade que nos últimos 4 anos mudamos muito, por fora, mas principalmente por dentro. Olhamos a Vida com outros olhos, outra confiança e o Miguel tem também contribuído muito para isso. Mas o facto de a Clara ser menina desperta em nós outros impulsos e respostas. Para mim particularmente, há um sentido de proteção ainda mais forte, mesmo do próprio Miguel, que nem sempre percebe o quão frágil ainda é a sua mana…

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Acima de tudo sentimo-nos abençoados pelos filhos maravilhosos que temos, pelo facto de termos um menino e uma menina, e por percebermos cada vez mais que podemos aprender ainda muito mais sobre nós próprios, sobre a nossa cultura (ou seja, pela forma como a sociedade nos ensina a nos relacionarmos uns com os outros), para assim podermos proporcionar um educação mais livre e menos condicionada…

Estou-vos muito grato meus filhos, a ti Miguel por me ajudares a entrar em contacto com o meu poder de me transformar a mim e ao Mundo, e a ti Clara por me ajudares a abrir mais o meu coração e permitir-me sentir o Amor…

Com muito Amor,

Ricardo

Conversas sobre meditação no Norte!

Meditação e a Vida de Todos os Dias!

Conversas sobre a simplicidade e o potencial da meditação…

No próximo fim-de-semana, estarei a viajar pelo Norte de Portugal a partilhar a minha paixão pela meditação! Com estas conversas, pretendo desmistificar muitas das ideias que levam a maior parte das pessoas a não sentirem curiosidade pela meditação. A sua simplicidade faz com que qualquer pessoa a possa praticar, e os seus benefícios vão muito além de qualquer terapia que possamos realizar.

 
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Aqui ficam as datas, os locais e os horários:

  • 20 de Janeiro (4ª-feira) às 21h – apresentação online e gratuita do curso Meditação e a Vida de Todos os Dias!
  • 21 de Janeiro (5ª-feira) às 19:30h – UBP, Porto;
  • 22 de Janeiro (6ª-feira) às 20h – Instituto AconteSer, Braga;
  • 23 de Janeiro (Sábado) às 15h/18h/20h – Flor da Laranjeira Guest House, Viana do Castelo

Se tens curiosidade em saber mais sobre meditação, aparece e traz o teu coração aberto… 

A entrada em qualquer destes eventos será por donativo!

Mais informações em www.vidaemtransição.pt ou através do email: despertaparaavida@gmail.com

Ricardo Gonçalves – Pai, biólogo de formação e co-fundador do projecto Vida em Transição. Nasci no Porto e aí vivi toda a minha vida, até ter sido pai há pouco mais de 3 anos e ter decido mudar-me para o campo, onde continuo a explorar as variadas facetas da Vida. A meditação é uma parte importante do meu dia-a-dia e contribui, juntamente com a contemplação e auto-questionamento, para o constante reconhecimento de quem sou e do meu propósito nesta vida.

Um bom ano novo, todos os dias…

O ano de 2015 foi um ano extraordinário aqui em Esculca, a vários níveis…main_logo_medium

Começamos por criar a nossa associação sem fins lucrativos Vida em Transição, com a qual pretendemos apoiar pessoas e famílias que pretendam transformar as suas vidas. A nossa transição tem sido muito mais do que uma simples mudança da cidade para o campo, baseando-se essencialmente numa busca profunda de quem somos e de como podemos por em prática o nosso propósito e as nossas características únicas…

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Desenvolvemos as nossas primeiras actividades abertas ao público (Fins de Semana em Transição, Férias Conscientes em Família, Workshops, Dias Abertos etc.), que não só nos permitiram aprender muito, como também criaram a oportunidade de mais pessoas e famílias experienciarem o que fazemos, e elas próprias realizarem pequenas e grandes mudanças nas suas vidas. Estas são, sem dúvida, algumas das formas através das quais queremos continuar a contribuir para a mudança que queremos ver no Mundo…

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Tivemos também a felicidade de ter a Ana Fonseca a viver connosco, dando um contributo fundamental para o crescimento do projecto, da casa e de muitos avanços no terreno e na horta. Foi muito bom partilhar questionamentos profundos, conhecimentos, ideias e sonhos. Para o Miguel (e para nós também) foi uma alegria ter a tua presença nas brincadeiras e nas tarefas do dia-a-dia. Estamos muito gratos por tudo aquilo que aqui deixaste e ajudaste a crescer (dentro de nós também) e desejamos que encontres o teu caminho nesta nova etapa da tua vida…

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O Miguel começou também em Setembro uma importante etapa do seu crescimento, a entrada para o jardim de infância Caracol ao Sol. É inspirador ver a alegria com que ele sempre quer ir para a escola (o difícil mesmo é tirá-lo de lá ao fim do dia!) e é já notório um grande salto no seu desenvolvimento. Ele quer muito fazer parte da Vida e com esta pedagogia é incentivado a ganhar confiança em si próprio, sem pressões ou demasiadas exigências. Somos afortunados por fazer parte deste projecto, que hoje já conta com muitas crianças no jardim de infância e outras tantas na primeira classe. Temos aprendido importantes lições com a pedagogia Waldorf e faz todo o sentido participar numa escola da qual os pais também fazem parte.

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Continuamos a aprender a viver em maior sintonia com a Natureza e os seus ritmos, aproveitando as suas dádivas em cada colheita, e saboreando as maravilhas de cada estação. A cada ano, são mais os pormenores que vemos e cresce também o entendimento que temos da Vida nos seus elaborados processos…

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As nossas famílias e amigos continuam a apoiar-nos incondicionalmente, de variadas formas, mas sempre com muito amor! E em Dezembro, o nosso amigo Adam Murray juntou-se a nós, por tempo indeterminado, mas em breve ele irá escrever um texto sobre esta mudança…

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Com tudo isto e muito mais, o ano de 2015 foi simplesmente fantástico! Mas desenganem-se se pensam que tudo foi fácil. Pelo caminho os desafios têm sido uma constante, alguns simples, outros bem mais complexos de ultrapassar, mas todos possuem em si a semente de mais um avanço na nossa evolução…

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Que o novo ano continue a semear novos desafios, regados com esperança e confiança, para continuarmos a colher os frutos da entrega à nossa verdadeira essência! Votos de um bom 2016, a cada novo dia! Esperamos receber-vos por cá em breve…

Ricardo, Teresa, Miguel e Adam

A verdadeira Meditação não é um escape, mas uma prática para uma vida desperta e livre…

Quando me comecei a interessar sobre meditação, há cerca de 7 anos, não fazia bem ideia do que era! Tinha uma vaga ideia de um Buda sentado a meditar, mas desconhecia o seu propósito e todo o seu potencial. O meu primeiro contacto foi um retiro de 10 dias de meditação Vipassana em silêncio, que revelou ser muito mais do que eu esperava. Nos dias seguintes, sentia-me mais vivo e muito atento a tudo. Nunca tinha experienciado tanto foco e atenção na minha vida, era como se de repente tudo fosse muito mais intenso. Mas como não mantive a prática, aos poucos as tarefas e distrações do dia a dia foram contribuindo para o desvanecer desse estado tão real e desperto…

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Entretanto, depois de conhecer o Projecto Vida Desperta e fazer um retiro de fim de semana com o Pete, apercebi-me pela primeira vez no final do retiro, de um silêncio interno na minha mente. Este silêncio era muito cativante, fez-me entrar em contacto com algo mais profundo em mim e sentir uma imensa paz. À medida que fui lendo e explorando mais sobre a meditação, que até então para mim estava associada ao Budismo, foi crescendo em mim uma ideia de que a libertação de todos os desafios e tribulações da vida iria, mais cedo ou mais tarde, requerer que eu abandonasse essa mesma vida e tudo o que possuía de material, para seguir um caminho espiritual no Oriente…

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O contacto com uma perspectiva da Vida mais abrangente e positiva, daquela que a nossa sociedade e cultura nos ensina, não só me deu um forte impulso para transformar radicalmente a minha vida, como também me tem permitido aprofundar o conhecimento de quem realmente sou! A meditação para mim é hoje uma âncora, um porto seguro e um farol que alumia o meu caminho, independentemente da intensidade das intempéries que fazem parte da Vida. Quanto mais sério é o compromisso que assumo e mantenho com a meditação, mais profundo é o meu entendimento da Vida, nas suas mais variadas expressões. A sua prática regular e uma forte intenção para ver as coisas tal como elas são, ajuda-me a ver melhor o que me motiva em cada acção ou resposta, e é esta clareza que, em última instância, me permite mudar os hábitos repetidos ao longo de uma vida.

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Hoje, e cada vez mais, a meditação permite-me entrar em contacto com uma parte de mim que já é livre, que nunca poderá ser magoada, que não tem medo e que está e estará sempre em paz! Ao mesmo tempo, sinto cada vez mais um impulso para agir, e não fugir da Vida. Para expressar com confiança o que já sei ser real na minha experiência, sabendo ao mesmo tempo que não sou perfeito e que nunca o serei. Mas aceito cada vez mais esta eterna imperfeição, pois é o que abre espaço para uma infinita transformação e evolução…

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Estou em processo de criação de um novo curso on-line sobre meditação e auto-questionamento, para todos aqueles que, tal como eu, sentem uma sede de explorar a sua verdadeira identidade. Será indicado para pessoas com diferentes experiências e abordagens à meditação, por isso se tiverem interesse estejam atentos, pois em breve vos trarei novidades 🙂 Mas antes, irei fazer um Retiro de 10 dias de Meditação, Mindfulness e Não-Dualidade, com o Pete na Avidanja, que recomendo vivamente!

Ricardo